Onde está o amor?

 


"Ainda que eu falasse a língua do homens e falasse a língua do anjos, sem amor eu nada seria."

"É só o amor, é só o amor

Que conhece o que é verdade

O amor é bom, não quer o mal

Não sente inveja ou se envaidece"

Esta é parte de uma música do grupo Legião Urbana, e uma parte da letra foi compilado da Bíblia, onde Paulo fala da importância de amar para a recém formado cristãos.

Paulo fala sobre os dons, hoje tão valorizado pelas igrejas evangélicas, e finaliza sua explicação dizendo que sem o amor tudo é vão, compara a um sino que faz barulho, mas não diz nada. E é mais ou menos o que vemos o cristianismo fazendo hoje. Cultos barulhentos, passeatas, manifestações públicas, shows musicais, protestos nos ruas e no congresso nacional, brigando por pautas políticas ou defendendo políticos e políticas, atacando movimentos que defendem direitos de minorias, mas é só, muito barulho, mas pouco amor.

O trabalho do cristianismo na época de Paulo era silenciosamente amar, e isso não deveria ter mudado, desde que a igreja se envolveu com política no ano 323 de nossa era, ele perdeu sua simplicidade em amar, e mesmo com a reforma não conseguimos recuperar isso. O pior foi que com o neo-pentecostalismo e a introdução da teologia da prosperidade nas igrejas (na maioria das igrejas evangélicas, inclusive nas tradicionais) a simplicidade do evangelho está cada vez mais distantes.

Amar se tornou algo tão "careta" que chega-se a ouvir de irmãos de igreja a frase repetida pelo ex-presidente apoiado pela maioria dos evangélicos que "bandido bom é bandido morto". Não imagino uma frase desta saindo da boca de Jesus, que tinha uma palavra de consolo ao bandido crucificado ao seu lado numa cruz. 

Jesus mostrou para os filósofos da época quem seria seu próximo e mostrou que não escolhemos quem ele seja, é exatamente aquela pessoa que precisa de nosso amor naquele momento. Jesus amou aquele moribundo na cruz, pois ele era o seu próximo naquela hora. Amar hoje está fora de moda e quem ama é um abestado de esquerda, que se preocupa com quem não merece, como se pudéssemos escolher quem devemos amar.

Por Paulo Kanasiro 

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