A minoria

Ironicamente o termo minoria refere-se, na sociologia, a grupos sociais historicamente excluídos do processo de garantia dos direitos básicos por questões étnicas, de origem, por questões financeiras e por questões de gênero e sexualidade. Também podem entrar no conceito pessoas que se encontram em situação de vulnerabilidade social, como idosos e portadores de necessidades especiais.

Desta forma, no Brasil, quando se fala em defender direitos da minoria, não nos referimos a minoria estatística, pois esta minoria social representa na verdade a maioria da população brasileira. 
Uma anomalia antiga que provoca injustiças, pois em um país onde o número de mulheres é ligeiramente superior ao de homens, essa só veio a ter direito ao voto a partir de 1932. Num país onde a maior parte da população era analfabeta, só tinha direito a voto que sabia ler e os analfabetos só passaram a ter direito de escolha a partir de 1985. Desta forma num país formado maioria pobre eram os ricos que escolhiam os governantes e políticos e assim uma minoria estatística, legislavam e governam sobre a maioria estatística da população, de forma a criar privilégios, facilidades e injustiças para beneficiar um seleto grupo, ignorando a minoria social. Assim chegamos a 33 milhões de famintos não só por comida, mas por direitos garantido pela constituição brasileira, muitas vezes ignorada e atropelada. 

Lembrando que 68 milhões de pessoas da população brasileira é considerada pobre, ou seja possui renda familiar inferior a R$ 597,00 mensal, de acordo com a FGV (Fundação Getúlio Vargas). No ano passado durante a campanha eleitoral ouvimos a frase: "A minoria vai ter que se adequar", a qual minoria o ex-presidente estava se referindo?  Na conversa parecia a se referir a um pequeno grupo, mas suas ações durante seu mandato parece indicar que era a minoria social, ou seja, a maioria estatística teria que aceitar o que estava se impondo ao país já que as medidas atingiram tanto pobres quanto a classe média.

Espero que o Brasil seja mais humanizado e crie se políticas para garantir direitos constitucionais, combata se o preconceito e a desigualdade, reduza a polarização política e as igrejas voltem a viver o evangelho puro e simples que é amar, respeitar e usar de compaixão como foi ensinado por Cristo. 

Por Paulo Kanasiro



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