Preferência da morte


Olhando com uma lupa o que aconteceu durante a pandemia vemos como a morte circula na sociedade mais livremente entre as classes pobres. 
Durante vários meses eu particularmente fiquei sem ver os diretores da empresa onde trabalho, pois eles por precaução trabalhavam em home office. Uma atitude prudente e corretíssima, mas do outro lado centenas de amigos pegavam ônibus, algumas vezes lotados para irem trabalhar. Enfrentando um inimigo na época desconhecido, poucos tinham a opção de não ir trabalhar ou fazer home office.
Vindo da televisão e rede sociais víamos o presidente da República dizer que deveríamos enfrentar o desconhecido vírus, que estava matando e enchendo os hospitais. 
Pobres se enfileiravam nas filas em busca de um leito para seus familiares, enquanto quem tinha dinheiro conseguiam furar a fila, encontrando um jeitinho de não esperar pela morte, digo isso, pois acompanhei um amigo que só não morreu, pois comprou um leito deste. Outros que não podiam pagar hoje só vivem em minhas recordações. 
O mundo não é justo, mas parece ser mais severo com aqueles que não possuem poder aquisitivo. 
Em defesa da economia colocamos vidas em risco, vidas de pobres que não possuem opção, não tem reservas e precisam comer. Empresas estavam preocupadas com faturamento enquanto os pobres enterraram seus familiares sem uma cerimônia, tendo que voltar ao campo de batalha para enfrentar um inimigo mortal. 
Quem tinha o dever de prover as armas para combater o inimigo, a vacina, se manteve inerte desejando uma imunidade de rebanho que não veio e diante de um vírus se mostrou ineficaz e deixou um população desarmada lutando diariamente para não ser mais uma baixa de guerra. 
Mas o que me chama a atenção era ver igrejas defendendo a linha de pensamento presidencial, mais preocupada com a arrecadação que não acontecia no modelo online, estimulavam as reuniões presenciais formando um ambiente ideal para a propagação do vírus e da morte, formada em sua maioria de pobres que iludido com uma proteção milagrosa que não os protegia contra o virus. 
Infelizmente parece que a morte apesar de não escolher classe social tem preferência por pessoas de baixa renda. Estado e igrejas tem feito muito pouco para mitigar isso. É certo que nem eu, nem você sozinho podemos mudar isso, mas quando surge alguém que favorece o combate a desigualdade, se preocupa com aqueles que passam fome ou não tem suas refeições diárias ou promove meios para que a classe mais pobre e indefesa tenham direitos garantidos chamamos os de comunistas e apoiamos políticos que favorecem os mais ricos, ou com dogmas religiosos, ou preconceitos centenários. 

Diante da constituição federal todos tem os mesmos direitos, pena que na vida prática não funciona assim, percebe se que tanto a morte quanto a injustiça preferem os menos favorecidos, apoiados pela igreja e o Estado. 

Por Paulo Kanasiro 
 

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