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Mostrando postagens de abril, 2023

Duas justicas

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Neste ano completamos 10 anos do incêndio da boate Kiss no Rio Grande do Sul. Quero citar outro caso que talvez muitos não conheçam, em 2020 após quase três anos preso, Lucas Moreira de Souza, de 26 anos, deixou o Complexo Penitenciário da Papuda. O jovem, que chegou a ser condenado a 77 anos, estava preso por suposto envolvimento em uma série de assaltos – crimes que não cometeu.  O alvará de soltura foi expedido pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) e a testemunha chave foi um policial civil, que acreditava na inocência do rapaz e procurou a Defensoria Pública.  Duas ações da justiça, dois erros, uma foi muito rápida em condenar um inocente e a outra muito lenta e condenar os culpados. Onde esta a diferença? O que causou esta diferença tão gritante nas decisões?  Infelizmente a nossa justiça não é cega, o jovem condenado injustamente era afro-descendente e pobre, sem recursos para contratar bons advogados e os acusados do sul bra...

Manipulação de opiniões

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Foram 918 pessoas mortas, entre elas mulheres e crianças, no dia 18 de novembro de 1978, em um misto de suicídio coletivo e assassinatos em Jonestown na Guiana, uma comunidade fundada por Jim Jones, pastor e fundador do Templo Popular, uma seita pentecostal fundada no EUA, em 1956,  mas que buscava refúgio na floresta amazônica para o caos profetizado no mundo, um caos atômico que nunca aconteceu. Como um pastor conseguiu convencer tanta gente a se mudar de seu país e por fim cometer um ato tão vil em nome da Igreja? Na época o mundo ficou chocado com a notícia, mas os evangélicos brasileiros tentaram desvincular a imagem negativa do cristianismo, que este evento trouxe na história, chamando o de seita. Mas será que este "poder" de persuasão era algo que só as seitas possuíam? Será que era algo que só Jin Jones tinha? Será que nunca mais veríamos algo assim no mundo? É certo que jamais vimos algo tão grande e monstruoso no mundo, mas não significa que tal "po...

Meritocracia

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Não sei se temos como fazer funcionar a meritocracia em um país tão cheio de desigualdades e preconceitos como o Brasil. Não quero, no entanto, dizer que ela não exista. Se pensarmos em um ambiente homogêneo como uma escola particular de alto nível a meritocracia pode até funcionar, pois todos têm basicamente as mesmas oportunidades, no entanto, pensar em meritocracia para além destas fronteiras é muito provável que não funcione. Podemos usar a figura de uma mulher, que mesmo criada em um ambiente favorável com as mesmas condições e oportunidades que seus amigos homens jamais terá a mesma facilidade para alcançar posição de liderança em uma equipe mista. O preconceito neste caso criará inúmeros obstáculos para chegar lá e se chegar muitas vezes não foi unicamente por méritos próprios, pois a comunidade teve que cooperar não permitindo que valores machistas interferisse na sua ascenção.  Por outro lado, uma criança pobre que estuda em uma escola pública, não tem seus pai...

Fariseu

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Fariseu, hoje este termo tem um sentido pejorativo, principalmente no meio evangélico, mas quem eram os fariseus? Um grupo religioso que se destacou nos meios judaicos  e alguns significados são atribuídos a origem da palavra em hebraico: "separados", " a verdadeira comunidade de Israel", "santos". Eram defensores da lei, da ordem, da família e da pátria. Eram reconhecidos por orarem em público e pela forma de se vestir e andar. Jejuavam regularmente e faziam caridades de forma regular. Mas por que este termo se tornou tão odiado hoje em dia? Um fato interessante é que se eu não houvesse mencionado o termo fariseu logo no início é bem provável que seu sentimento pelo que estou dizendo seria outro. No entanto, é fácil sentir aversão ao termo fariseu e nem perceber que há uma semelhança com o mundo religioso de hoje. "Defensores" da fé, familia e pátria, vestidos com roupas de uma santidade religiosa, defenderam o presidente que em meio...

Privilégio para "poucos"

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Houve uma época não muito distante onde ler era um privilégio de algumas pessoas, o que definia o acesso à educação formal era o poder aquisitivo. Assim ler era um privilégio e dava um destaque social. Assim quando se pensou em dar direito a voto limitaram somente àqueles que sabiam ler e escrever. Excluíram com isso os pobres e os recém libertados escravos e seus descendentes e isso só foi corrigido em 1988. Esta semana o STF vota o fim da prisão especial provisória para quem tem diploma de ensino superior. Durante minha juventude algumas coisas me incomodavam, na época eram normal, pobre não fazer faculdade e rico não ser preso junto com bandidos.  Como não haviam tantas faculdades pagas e as universidades públicas eram para "filhos de papai",  (era como se chamavam os filhos dos ricos) era raro alguém das classes inferiores acessarem o ensino superior. Desta forma nunca planejei entrar na universidade, fiz um curso técnico e fui para o campo trabalhar, este era o caminho m...