Duas justicas


Neste ano completamos 10 anos do incêndio da boate Kiss no Rio Grande do Sul. Quero citar outro caso que talvez muitos não conheçam, em 2020 após quase três anos preso, Lucas Moreira de Souza, de 26 anos, deixou o Complexo Penitenciário da Papuda. O jovem, que chegou a ser condenado a 77 anos, estava preso por suposto envolvimento em uma série de assaltos – crimes que não cometeu. 
O alvará de soltura foi expedido pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) e a testemunha chave foi um policial civil, que acreditava na inocência do rapaz e procurou a Defensoria Pública. 
Duas ações da justiça, dois erros, uma foi muito rápida em condenar um inocente e a outra muito lenta e condenar os culpados. Onde esta a diferença? O que causou esta diferença tão gritante nas decisões? 
Infelizmente a nossa justiça não é cega, o jovem condenado injustamente era afro-descendente e pobre, sem recursos para contratar bons advogados e os acusados do sul brancos e ricos, com bons advogados que postergam o processo e a dor dos familiares que observam a injustiça, pois é, o fato é que não tiveram seus familiares com eles nos últimos dez anos e ainda sofrem com a impunidade. 
Alguém pode dizer que isso é assim no mundo inteiro, mas se temos que aceitar que há duas justiças no país, infelizmente 2/3 dela terá o tratamento dado a Lucas Moreira, e somente 1/3 o tratamento que os acusados no caso da boate Kiss. Deveríamos tentar corrigir isso, para que inocentes não sejam tão rapidamente condenados e culpados não sejam tão tardiamente punidos. Pobres aguardam julgamento geralmente presos, ricos conseguem, após pagar fiança,  responder em liberdade. A justiça parece ser ágil em alguns casos e extremamente letárgica em outros, será que o poder aquisitivo faz pesar para um dos lados a balança da justiça? 

Precisamos de um país mais justo, e deve haver uma reforma no sistema judiciário para rever e mitigar tais diferenças de tratamento e condenação. 

Por Paulo Kanasiro 

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