A escravidão


Hoje comemoramos a abolição dos escravos. A escravidão no Brasil foi cruel e desumana e suas consequências, mesmo após 135 anos de abolição, podem ser vistas através da pobreza, violência e a discriminação que afetam afrodescendentes em todo território nacional, isso porque em algum momento o povo normalizou o preconceito contra esse grupo e deixou ele à margem da sociedade. A escravidão, no entanto, não se limitou aos cativos africanos, milhões de indígenas foram mortos e escravizados e reflexo disso hoje, além do próprio preconceito conta eles, foi a redução populacional destes povos.
 
Isso que ocorreu no Brasil e durou séculos foi assustador, motivado pela ganância humana e autorizado pela Igreja cristã dominante que considerava pessoas vindas da África como animais destinados a trabalhar e servir os brancos europeus. Carregavam navios com seres humanos amarrados e submetidos a um transporte em condições degradantes onde muitos nunca chegaram a desembarcar na América. Chegando vivos aqui, sem liberdade eram destituído de dignidade, tratados como mercadoria, vendidos e forçados a trabalhar sem nenhuma remuneração. A quantidade de escravos no Brasil era tão grande que houve épocas em que a quantidade de escravos aqui superavam a de brancos livres de origem europeia, mas havia algo em comum com os nossos dias, eram os brancos ricos que determinavam o destino da maioria.

A escravidão autorizada e insentivada pela igreja não existe, mas nunca deixou de existir na sociedade, ainda motivada pela ganância humana, ouvimos pessoas sendo resgatadas de trabalhos assim nos dias de hoje. O mais impressionante não é isso, mas ver igrejas (predominantemente evangélicas) vestindo a camisa de um candidato que reduziu as fiscalização do ministério do Trabalho, ação que deliberadamente incentivou a prática, em nome da proteção de grandes produtores. Da mesma forma que no passado onde por trezentos anos muitos dos brancos cristãos que iam aos domingos a igreja ouvir sobre liberdade, usavam a escravidão para fazer negócios e ampliar suas riquezas. Como as igrejas cristãs se posicionam diante disso? É notório o seu silêncio hoje. 

A liberdade promovida pela abolição dos escravos ainda não conseguiu atingir seu objetivo mesmo após 135 anos de proclamada. Se posicionar contra a escravidão somente não resolve o problema, pois temos reflexos vivos deste tempo ainda na nossa sociedade, cabe a nós refletirmos se a escravidão realmente acabou ou ainda não saiu de nossos corações e de nossa sociedade e  ainda está presente de forma diferente. 

Quando surge alguém que defende o direito da "minoria", da classe pobre e trabalhadores a comunidade cristã se movimenta chamando de comunista, associa a demônio, mas na verdade ao ignorar o direto desses estamos ignorando que ela se refere da maioria populacional de nossa sociedade que ainda é vítima dos efeitos provocados por este período tenebroso de escravidão que enriqueceu os brancos europeus e empobreceu os descendentes de indígenas e africanos e continua a estimular este mesmo processo. Ignorar isso e se opor a esta reparação é defender o que a escravidão fez e continua a fazer em nossa sociedade. 

Por Paulo Kanasiro 





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