Diferenças sociais


O Brasil foi criado em cima de diferenças de classes sociais, desde seu descobrimento há diferenças entre colonizadores e nativos, com o passar dos anos a população de escravos aumentou tanto, que ultrapassou o número de colonizadores, com o extermínio indígena a diferença social predominante passou a ser entre descendentes de europeus e africanos e com a abolição da escravatura, passou a ser notada uma diferença social entre aqueles que eram marginalizados e os que marginalizavam. Sem direito a voto, escola e escolhas esta imensa massa de pessoas se tornaram livres da escravidão, mas não da pobreza. Hoje a pobreza não tem cor nem raça mas se mantém  um abismo entre aqueles que detém o capital e aqueles que precisam do trabalho ou algum tipo de ajuda governamental. 
É natural que existam diferenças sociais e econômicas, mas o degrau entre ricos e pobres não deve ser tão grande e a quantidade de pessoas no pé da pirâmide social não deve ser tão desproporcional. 

Mas como a igreja evangélica se adaptou a este modelo social? Infelizmente muito bem, seguindo o mesmo modelo, vemos igrejas suntuosas cheias de membros pobres, vemos pastores ricos andando de jatinho sustentados por pessoas simples, vemos pastores com carro do ano enquanto seus fiéis algumas vezes não tem dinheiro para pagar passagem para todos da família, tem filhos de pastores estudando no exterior enquanto os fiéis que bancam tal luxo estudam em escolas publicas sem teto e sem recursos.
Muitos amigos evangélicos vão tentar defender este modelo, e que não há nada de errado nisso, ao meu ver de acordo com as circunstâncias brasileira, realmente não há, mas onde foi parar a ética cristã? Onde deixamos nossa compaixão? Onde ficou a empatia que foi ensinado por Jesus? 
A igreja adotou o modelo da sociedade e não vê mais erro nesta discrepância absurda. Conformar com este tipo de desigualdade social é contrariar os princípios do evangelho de Cristo. No início as pessoas vendiam seus bens para mitigar as deficiências de outras, hoje escuto de amigos que temos que beneficiar a classe rica para que ela gere empregos para os pobres, (ideias que circulavam as senzalas no século XIX), temos que tirar direitos trabalhistas para gerar empregos, (foram tirados direitos, mas cadê os novos empregos), empurramos boa parte da população para a informalidade onde trabalham de segunda a segunda sem folga, sem férias e sem direitos (escravidão moderna). Enquanto os ricos são protegidos do desemprego, tem duas férias por ano, com jornadas frexiveis e menores. E achamos isso normal? 

Como evangélicos deveríamos estar ajudando as pessoas a terem uma vida mais digna, mas diante do tamanho do desafio, preferimos nos calar, nos adaptar ao modelo oferecido, se esconder atrás de uma meritocracia hipocrita, e dizer que está tudo certo. "Reduzir a dor da pobreza dá trabalho", então damos sopa aqui, uma cesta básica ali, mas concordamos com este modelo que privilegia os ricos e marginalizam os pobres. Infelizmente o cristianismo se perdeu no caminho da história, deixou a empatia, amor e compaixão ensinados por Cristo. 

Finalizando vou citar um texto muito conhecido que diz, "se toda a literatura se perdesse e só se salvasse o Sermão da Montanha, nada estaria perdido." Mas o interessante é que o pensamento não pertence a um cristão. Seu autor é Mahatma Gandhi. Temos que pensar nisso!

Por Paulo Kanasiro 

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