Pena de morte
A igreja cristã deveria defender a vida e nunca a morte, mas haviam e creio que ainda há aqueles que defendem a pena de morte. O curioso é que muitos que levantam esta bandeira hoje se envolveram na política e usam como justificativa para não votar em um candidato a descriminalização do aborto e o direito a vida. Na verdade este foi um argumento tosco usado por inúmeras igrejas evangélicas para defender seu posicionamento político, mas que na prática não era o verdadeiro motivo de sua escolha.
No ano de 2021, 47,5 mil mortes violentas intencionais, ou seja, uma média de 130 homicídios por dia, aconteceu no Brasil o que coloca o país no topo de uma trágica estatística mundial e com mais mortes diárias do que em uma guerra. No ano de 2019, quase 143 mil pessoas cometeram suicídio no Brasil, ou seja 390 pessoas por dia. Onde estão os defensores evangélicos da vida? Por que não questionam estes números? Por que não exigem posicionamento político com relação a estas morte? Já conheço a resposta pronta e mecânica, a igreja não deve se envolver em política, mas não foi isso que fizeram usando a questão do aborto como ponto decisório na escolha do candidato?
A vida, todos temos o direito a ela, mas para a igreja o que o Estado define como lei não muda quem a igreja é, assim deveríamos estar mais preocupados com a prática do que com as leis. Eu considero hipócrita este movimento político contra o aborto, pois parece uma igreja fazendo barulho para esconder suas falhas. Se a igreja estivesse empenhada em salvar vidas, poderia evitar muitas mortes violentas, suicídios e inclusive o aborto, mas isso dá trabalho e demanda recursos financeiros que estão empenhados muitas vezes em luxo e conforto, então é mais fácil fazer barulho e parecer "santo". Creio também que o cristianismo brasileiro se perdeu no caminho, e evangélicos deixaram a simplicidade do evangelho que é amar na prática e não no discurso e barulheira. Evangélicos que disseram escolher a vida apoiaram um presidente que contribuiu com quase um milhão de mortos durante a pandemis, que por interesses pessoais retardou muito para comprar vacinas. Assim não tem como se explicar que evangélicos que em nome da vida defendem a ilegalização do aborto, também apoiam o uso e o porte de arma de fogo, a pena de morte e a negligência que causou milhares de mortes.
Evangélicos que escolheram votar ou não votar baseados no direito a vida, arregacem as mangas e vamos trabalhar em favor dela e deixem de fazer barulho para esconder suas falhas.
Por Paulo Kanasiro
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