A igreja e a mentira


 Jesus quando esteve aqui chamou o diabo de pai da mentira, condenou hipocrisia farisaica da época por considerá-la uma vida de mentiras e orientou seus discipulos a não usar a mentira dizendo que tudo que estivesse encoberto um dia seria revelado. Pregando a verdade disse que esta os libertaria, pois de alguma forma estaríamos presos debaixo de alguma mentira.

Olhando os dias atuais vejo as coisas acontecendo nos bastidores da história e vejo um posicionamento equivocado da igreja evangélica brasileira, que me faz questionar se não estamos vivendo sob esta mentira. O movimento evangélico, não em sua totalidade, mas em sua maioria, levantou uma bandeira política e fez campanha dentro e fora da igreja, usou os púlpitos e algumas o transformaram em palanque político, algo inacreditável anos atrás. Mas o que incomoda é a manutenção de seu posicionamento político diante das evidências que se apresentam e são reveladas.

Com base no princípio fundamental do cristianismo, o amor, igrejas balançavam bandeiras enquanto seu candidato político contribuía para milhares de mortes por covid no país, fazia planos para exterminar civilizações indígenas na Amazônia, empurrava milhões para a extrema pobreza e obrigavam trabalhadores a partir para a informalidade. Vidas sendo tiradas e muitas obrigadas a viver na miséria. Escondido sobre o manto da honestidade o candidato comprava imóveis, recebia presentes bilionários de oligarcas, para beneficiarem em negociações ocultas dos olhos populares. Sob a cortina da moralidade, vivia em uma família cheia de mazelas, brigas e disputas. No entanto diante de tudo isso ainda recebo mensagens de grupos evangélicos que agora condenam a PL das fakenews dizendo que querem tirar o direito de se expressarem, algo inacreditável, será que o fazem por ignorância ou por maldade? 

Dentro das igrejas ouvia se "profecias" sobre o candidato que nunca se cumpriram, muitos "assim diz o Senhor" que ao meu ver nunca existiram, era um "assim diz o eleitor" que impregnou igrejas inteiras desde os mais altos líderes até o mais simples membro, com um fanatismo político inacreditável. As pessoas eram quase proibidas de discordar, pois estariam se voltando contra seus líderes. Mas com a derrota e com as profecias não cumpridas, veio a parte mais impressionante, pastores passaram apoiar um golpe militar e insentivar seus membros a irem para frente dos quartéis, muitos em desespero a participarem da invasão do congresso, a colocar bombas em caminhões de combustível para explodir no aeroporto de Brasília na véspera de Natal, época onde o local estaria lotado de pessoas.

Como a Igreja evangélica chegou até isso? Não sei dizer, mas confesso que em alguns momentos tenho vergonha de me apresentar como evangélico e ser relacionado a tudo isso, pois esta foi a imagem que restou depois das últimas eleições. Um grupo fanático, alienado do mundo, politizado, que despreza a ciência, supersticioso, alinhado com a extrema direita, preconceituosos e cheio de falsas profecias.

Precisamos mudar isso, e o primeiro passo é romper este cordão umbilical com a política, deixar de lado pensamentos extremistas que ignoram as pessoas e causam preconceitos, deixar de impor dogmas religiosos a sociedade e achar que o evangelho será imposto e não pregado através de nossas vidas.

A verdade deve nos libertar ou toda mentira vivida será revelada e mostrará toda a vergonha, que temos vivido em uma vida hipócrita sem amor ao próximo. 

Por Paulo Kanasiro 

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