Senso de propriedade
Certa vez conversando com alguém sobre índios, notei um ar de revolta na conversa, o que me fez ficar curioso e esticar o assunto. A pessoa me dizia não gostar de índios, pois eles eram mal educados, egoístas e não respeitavam os outros. Contando a sua experiência durante uma ação social onde levaram brinquedos e alimentos para uma comunidade indígena, notei o despreparo por parte não só dele, mas do grupo que planejou a ação.
Existem vários tipos de indígenas, quanto mais isolados da sociedade em que vivemos, mais estranho será o comportamento das pessoas.
A revolta da pessoa que falava comigo era que eles davam brinquedos para uma criança e outra vinha e pegava o brinquedo. Eles davam comida e goloseimas para um e outras crianças vinham comer, e as mães não faziam nada, isso provocava revolta não só nele, mas em todas as pessoas que foram com ele.
Digo que foi falta de preparo do grupo, pois deveriam entender que uma sociedade indígena não funciona como a nossa, o senso de propriedade é algo ligado ao capitalismo e não é algo tão forte entre eles.
Assim não há um sentimento de que isso é meu e isso é seu, muitas vezes eles compartilham brinquedos e até mesmo a comida sem que isso seja errado para eles.
Uma observação é que muitos têm boas intenções em tentar fazer boas ações, mas deveriam terem sidos preparados para isso. O grupo tinha o objetivo de evangelizar, mas mesmo este tipo de trabalho necessita de um preparo.
Não estou dizendo que estamos errados, mas também não digo que estamos certos. O errado é usar regras do mundo capitalista para dizer que índios são mal educados e vice versa. O errado é crer que todos devam ter o mesmo senso de propriedade que temos, um senso que estimula o egoísmo e dificulta o compartilhamento.
Por Paulo Kanasiro

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