Racismo estrutural
Racismo, no dicionário, significa “preconceito e discriminação direcionados a alguém tendo em conta sua origem étnico-racial, geralmente se refere à ideologia de que existe uma raça melhor que outra”. No Brasil ouço muita gente dizer que isso não existe, será? Penso que esta seja mais uma das mentiras que nos ensinaram e que replicamos sem refletir, no entanto o racismo estrutural está tão arraigado na sociedade que não o enchergamos. Segundo o ministro Silvio Almeida, filósofo, advogado e professor universitário, "o preconceito estrutural é a regra e perpassa todo o inconsciente coletivo: é possível observá-lo nas relações pessoais, nas políticas públicas, nas desigualdades econômicas etc. Essa onipresença é o que eu chamo de racismo estrutural, a vida ‘normal’ e cotidiana em todos os seus sentidos é atravessada pela questão racial".
É incrível como o racismo estrutural funciona que apesar de latente, consegue convencer um ser humano de que ele não existe, leva pessoas a combaterem medidas políticas que tentam reduzir os efeitos e as dificuldades impostas na sociedade por ele.
O combate ao racismo estrutural é uma batalha difícil contra um inimigo invisível que age sorrateiramente nas opiniões públicas e o pior efeito é a apatia da sociedade com relação ao assunto. Líderes, políticos e empresários não tomam iniciativas eficazes para neutralizá-lo, e a desigualdade de condições continua a perpetuar os efeitos deste racismo em todos os âmbitos da sociedade.
Quando se cria políticas que favorecem uma classe descriminada, não se está protegendo a mesma, mas criando formas de corrigir um erro causado pelo racismo. A medida que ele vai deixando de existir, menos políticas desta natureza serão necessárias. Mas como saber? Basta uma simples conferência estatística, se nossa população que tem 6 pessoas com origem afro-descebdente em cada 10 habitante do país, assim esta proporção deveria ser igual ou próximo disso em qualquer cargo, empresa, escola, função, política, magistratura etc.
Estamos muito longe disso, mulheres negras morrem mais durante os partos, seus filhos têm mais chances de ter doenças pré-natal, são eles as maiores vítimas de mortes não naturais, são minorias em altos cargos, seja no setor privado, estatal, mas por que? Porque sonos racistas e preconceituosos, infelizmente. Enquanto ignorarmos isso o racismo estrutural não deixará de existir e enquanto julgarmos normal está desproporção e os efeitos que ela trás, continuaremos sendo racistas mesmo achando que não.
Por Paulo Kanasiro

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