Saidinhas


Viver em sociedade requer disciplina, reconhecer que temos direitos e deveres e que o meu direito cessa quando esbarra nos direitos alheios.

Por isso existem, juízes, penas e condenações. Alguém que não compreende as regras de uma comunidade tem que ser disciplinado e o meio para isso é a prisão.

Isso soa estranho? Sim, pois no Brasil a prisão é um lugar para guardar pessoas más, um lugar de punição como calabouços da idade média, um lugar tenebroso onde as pessoas más deveriam ficar antes de irem para o inferno.

Mas será que este é o verdadeiro papel das prisões? Não, a função de uma detenção é re-socializar uma pessoa, é mostrar que há algo mais importante que nós mesmos, há uma regra que permite viver bem e que respeitar os direitos alheios garante os nossos próprios. É mostrar que quando um leva vantagem todos perdem.

Recentemente foi votado na Câmara Federal o direito de saídas para presos com bom comportamento, chamado de saidinha, e é incrível que a maioria aprovou este projeto o que mostra que a maioria das pessoas que colocamos lá vê as prisões como calabouços sem portas e quem cai lá, lá devem ficar.

O pior é que a maioria evangélica apoiou isso, sem entender como funciona as saídas e sem se preocupar com os números de presos que não retornam.

A falta de esperança gerada por tal medida nos presos que de alguma forma reconheceram seu erro é desejam mudar e poder se reintegrar na sociedade deve cair drasticamente, pois tratados agora como um "lixo social" não encontram motivos para serem melhores, pois foram jogados fora da sociedade.

Boatos, hoje conhecidos como fakenews alimentam este sentimento descriminatório de que ninguém volta após as saidinha e que os presos são sempre pessoas más que saem para cometer novos crimes. Muitas vezes se prendem nos números daqueles que não voltaram e ignoram o percentual que este número representa, em 2023, 95% dos presos que tiveram o direito de ver a família por bom comportamento retornaram as prisões, mas "conservadores", religiosos e desinformados fizeram um alarde dizendo que mais de dois mil presos voltaram às ruas para cometer crimes e isso tinha que acabar.

Nossos conceitos e preconceitos devem mudar, entender que podem haver mudanças e a melhor maneira de se resolver o problema que levou alguém a cometer um crime é re-socializa-lo.

É de espantar que no meio evangélico existam pessoas que insistam em não ter nenhum tipo de compaixão e torcer para que nossas prisões continuem sendo figuras de calabouços sombrios da idade média. É quase inacreditável que cristãos insistam em desacreditar na mudança que muitos outros evangélicos estão promovendo lá, é quase inacreditável que este povo que diz amar e seguir Jesus tenha tão pouca compaixão em seus corações.


Por Paulo Kanasiro 

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