Curiosidade mórbida


Um homem de meia idade estava trabalhando e de repente começa a passar mal dentro da empresa onde trabalha a muitos anos, inconsciente no chão é cercado de companheiros de trabalho que olham curiosos enquanto o socorro aparece, a equipe de socorro verifica sinais vitais e inicia imediatamente a massagem cardíaca aguardando a chegada da ambulância. Uma multidão cerca a cena, olhando, fotografando e filmando o moribundo amigo diante da situação.

Durante uma viagem um trânsito lento em uma rodovia que dá acesso a cidade de São Paulo, após quase meia hora para percorrer o trecho constatei que não havia nenhum acidente na via por onde estava circulando, todo o transito era fruto da curiosidade dos motorista para ver o grave acidente ocorrido na pista com sentido oposto. 

Uma cena comum em nossos dias, uma aglomeração de pessoas ao redor de um rapaz de moto que sofreu um acidente, alguém parou e verificou se estava bem, mas a maioria estava ali só olhando, assistindo a cena como se fosse um filme da TV.

O que há em comum nas três cenas? Bom muitas coisas e muita gente, mas o que chama a atenção é a curiosidade mórbida do ser humano que quer ver a desgraça ocorrida, mas sem nenhuma intenção de ajudar ou de não atrapalhar. Durante uma situação de vida ou morte alguém tem o pensamento de filmar a cena e não pensa em ajudar? Pessoas não se importam de perder seu tempo e ficar assistindo inerte a situação, mas não consegue reservar um décimo deste tempo para ouvir ou ajudar ninguém.

Alguém pode dizer, mas eu não sou socorrista, então o que estava fazendo ali? Por que tanta curiosidade?

Na verdade estamos a cada dia mais egoístas, egocêntricos e insensíveis, vemos situações assim e não enxergamos a pessoa no centro da situação, não nos dispomos a ajudar, só em assistir (olhando).

Nossa curiosidade mórbida não é a causa do mal, é apenas uma demonstração de que estamos tornando cada dia menos humanos.


Por Paulo Kanasiro 

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