Jesus negro
Judas foi contratado para identificar Jesus no meio de seus discípulos, o demonstra que Jesus era alguém comum, se ele fosse caucasiano, os romanos e líderes judaicos não precisariam de Judas para fazer a identificação. Assim Jesus tinha origem judaica e se vestia como um deles, sem nenhum traço diferenciado, era alguém que podia se confundir com as pessoas da Judéia a 2000 anos atrás, talvez como na terceira imagem.
Mas o que este sentimento de indignação com a imagem de um Jesus negro nos faz pensar? Por que o Jesus branco não causa o mesmo? O cristianismo passou por um processo de "branqueamento" romanizado a partir do terceiro século e durante toda a idade média, assim a imagem que vemos de Jesus desde nossa infância é a de um homem branco com traços europeus. No entanto, o que incomoda é o fato de considerar errado que outras sociedades e etnias criem um Jesus mais familiar, como se a imagem de Jesus que temos fosse a verdadeira.
Jesus humanamente era descendente de Davi e tinha traços de um judeu, isso deveria estar claro para nós, mas não deveria ser fonte de preconceitos e criar uma imagem de um Jesus branco não deveria ser um problema, assim como a criação de um Jesus negro também não.
O que fica evidente é que o cristianismo não está funcionando como deveria, pois continuamos a criar preconceitos e fazer o que não deveríamos, que é separar as pessoas pela cor, raça e religião. A imagem de Jesus é o que menos importa, tanto que nos últimos relatos de Jesus feito por João, sua face brilhava como luz, e não era possível definir traços de seu rosto, mas João conseguiu dizer que era Jesus.
Somos preconceituosos, isso está inconscientemente incorporado em nosso ser, mas precisamos acabar com isso. Levamos o preconceito até para onde ele não deveria existir, dentro do cristianismo. Assim nos preocupamos demais com o visual e damos pouco valor à essência que está no caráter.
Talvez Jesus não se pareça com nada que tenhamos imaginado, mas mesmo assim continua sendo Jesus, assim como João que não podia ver seu rosto, mas afirmou ser Ele aquele que andava entre os castiçais. Enquanto a cor, raça e aparência forem mais importantes que o caráter, vamos alimentar o preconceito que nasceu com a gente e insiste em ditar as regras de valores de nossas vidas.
Por Paulo Kanasiro

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