Estado inerte
Quando era jovem era comum ouvir de meus pais sobre a existência de grupos justiceiro ou extermínio que é mais apropriado para descrever o que faziam. Criado por pessoas comuns, geralmente comerciantes cansados de serem vítimas, decidiram ser protagonistas de crueldades. "Pé de pato" era como eram chamados, "Pullman" o local de desova dos corpos, amigos de meus pais comemoravam o aparecimento de mais um defunto, algo tenebroso se pensar bem. Mas vem a pergunta, onde estava a polícia? A polícia não conseguia saber quem eram os tais pé de pato? A ausência do poder público na gestão da ordem e da lei, faz com que a criminalidade cresça e assuma o controle da sociedade.
Houve épocas em que o crime organizado decretava toque de recolher e a sociedade respeitava tal ordem, apesar do poder público negar que ele existisse.
Foi assim no Rio de Janeiro, é assim em São Paulo, em Belém e na nossa amazônia. Aqui vemos o Estado sempre um passo atrás da criminalidade, existem locais nas grandes metrópoles, onde o Estado precisa da permissão do crime organizado para entrar, existem locais onde as leis do Estado não podem ser aplicadas, a presença policial parece ser mais perigosa do que sua ausência, pois gera conflitos e balas perdidas que geralmente atingem um inocente. A presença da bandidagem é mais familiar que a polícia, pois a bandidagem conhece os moradores, no entanto a polícia parece encarar a todos como bandidos.
A sociedade se rendeu ao crime, não por opção, mas por omissão do Estado. As cidades cresceram muito desde minha juventude, espaços públicos desocupados se tornaram em imensas favelas, a princípio feitas de madeira, hoje são todas de alvenaria com dois, três ou até mais andares, no entanto sem saneamento básico e acessos precários onde a ronda policial é impossível.
O certo é que onde o poder do Estado não está, o poder do crime invade e isso é irreversível, no entanto o crime organizado está se aperfeiçoando e formando homens que estão entrando no legislativo e judiciário, o que deveria nos preocupar, pois em um futuro não muito distante a criminalidade estará de forma geral no poder do Estado. Tivemos um presidente que tinha envolvimento com milícias que a princípio funcionavam no Rio, mas recentemente foram descoberto pela Polícia Federal um grupo de milicianos, formados por ex militares que tinha até CNPJ e uma tabela para encomendar assassinatos e os valores tabelados pela função, juiz, deputados, senadores ou pessoas comuns. Isso é assustador, pois mesmo vendo tudo isso acontecer o Estado continua inerte.
Por Paulo Kanasiro

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