Instituição vs Pessoa


Um padre que abusa de meninos, um lider religioso que molesta meninas, medium que estuprava mulheres e pastores de igreja evangélica que tem relacionamento amoroso com várias mulheres de sua membresia, são escândalos que costumeiramente vemos em jornais e publicações das redes sociais. 

Visto por fora é um crime que deveria ser punido com todo o rigor da lei, mas por que digo, deveria? É porque a maioria destes crimes não tem repercussão e é ocultado, disfarçado ou encoberto pelas igrejas e entidades religiosas, sejam elas católica ou evangélica ou espírita. As vítimas são forçadas a se calarem, usando contra elas o vexame que elas passarão se divulgarem o crime, ou o estrago na imagem da instituição que será propagado no meio social, no entanto o que as entidades religiosas pretendem é preservar o nome da entidade, protegendo-a de escândalo. Assim, a vítima que já sofreu com os abusos feitos por uma pessoa, se torna vitima de um sistema que prioriza a instituição e não a pessoa, que está preocupada com a reputação e não com a verdade. 

O agressor é transferidos, colocados em escritórios para fazer atividades burocráticas, recebem a única punição para seu crime, mas a sensação de impunidade não impede que tais criminosos continuem a praticar seus crimes, pois o que se reforça com isso é a sensação de impunidade e que o agressor tem o amparo da instituição que o mantém fora da lei 

"Você vai denigrir o nome da igreja?", "o crime já aconteceu, você quer contar para todo mundo isso?", "vamos deixar que Deus julgue e condene a pessoa que fez isso", são frases que surgem em "defesa" da vítima. O medo de uma exposição pública muitas vezes inibe a vitima de fazer uma denuncia. São poucas as vitimas que resolvem seguir em frente com um processo criminal. O protecionismo cria uma barreira e as vítimas se sentem sem saida, a não ser se calar. Sem apoio psicológico muitas delas não superam os traumas e seus efeitos são considerado obra do demônio e obrigam elas a orarem mais e passar uma vida de sofrimento e dor. 

O papel da igreja foi alterado e se dá mais valor a instituição do que a pessoa, um contraste com as ações de Jesus que amava o pecador e condenava a instituição de sua época por sua falta de sensibilidade e amor. E amaram mais as coisas do que as pessoas, amaram mais o pecado do que o pecador, colocaram a ordem para amar depois da reputação da entidade. 

Hoje é pregado que o pobre pode passar dificuldades, mas a igreja não, afinal de contas é fácil culpar o pobre por ser pobre, e apontar seus pecados como a causa de sua desgraca, mas uma entidade como a igreja é "santa", não pode ser difamada, então culpa-se a vítima e joga-se todo o ônus do crime sobre a parte frágil, enquanto seus algozes recebem uma advertência, uma punição branda longe da lei, da justiça e dos holofotes. 

É triste ver que as pessoas são tratadas sem nenhuma compaixão e todo o peso da culpa lançada sobre a ovelha indefesa, ovelhas, que as instituições deveriam cuidar e não condenar a uma dor eterna de uma ferida incurável, por causa da falta de justiça em nome da preservação de uma instituição, afinal o que vale mais? Uma pessoa ou uma instituição? 

Por Paulo Kanasiro



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