Espírito de urubus



O mundo animal nem sempre trás cenas bonitas e algumas vezes a crueldade nos chocam. Um animal moribundo que escapou do ataque de algum predador, conseguindo fugir, luta por sua vida, tentando agora se recuperar e curar suas feridas. No entanto, enquanto tenta se recuperar,  começam aparecer alguns catartídeos que o observam de longe, alguns deles ousam se aproximar, mas se afastam logo que o moribundo animal se mexe. Parece uma disputa para ver quem vai dar a primeira bicada e iniciar o banquete. 

Os catartídeos, conhecidos por aqui como urubus, prenunciam a morte, desejam por ela e sabem que ela será o motivo do seu banquete. Pouca coisa se perde, o apetite destas aves costumam deixar somente as ossadas dos animais e dependendo do animal não chegam a esperar nem mesmo a morte do mesmo. 

Este é o mundo animal, no entanto, não é incomum ver o "espírito de catartídeos" em seres humanos. Por vezes vejo cenas animalescas de pessoas brigando pelos bens deixados por um ente "querido". Em alguns casos o ente "querido" nem morreu e a disputa já está iniciada para ver quem vai dar a primeira "bicada", quem vai ficar com o quê, qual parte da "carcaça" será de quem. A comparação pode chocar, mas na verdade a cena é muito semelhante. Com um agravante, os animais fazem isso por instinto, mas e a humanidade? Pensar em um ser racional que tem a capacidade de pensar, amar e sentir empatia, agir como um catartídeos é chocante, mas não é incomum. Ver pessoas brigando, rodeando uma pessoa, desejando a morte para aproveitar o banquete, faz pensar que não somos melhores que os animais e que nosso mundo é muito mais cruel do que o deles. 


Por Paulo Kanasiro 


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Valores

Anarquia funcional

Os traficantes são vítimas