A misoginia
Recentemente tivemos um incidente no senado federal onde senadores tentaram intimidar a ministra do meio ambiente, Marina Silva, durante uma comissão. Uma cena inadmissível promovida por aqueles que fazem as leis do país, um comportamento criminoso de misoginia contra uma mulher que é a ministra do poder executivo. Um comportamento que não foi aceito pela ministra que exigiu respeito e pedido de desculpas que não aconteceu, obrigando a deixar o local. Mas o que mais me incomoda é que o local havia pelo menos 23 senadores, onde 21 permaneceram calados diante do crime, somente dois se manifestaram contra a forma como a ministra estava sendo tratada. Por quê?
Uma extrema direita está construindo um mundo machista e misógino, apoiado por igrejas e pastores, com destaque a Silas Malafaia, que se tornou o maior apoiador e defensor da extrema direita no país. Com políticos e religiosos dizendo e agindo de forma a considerar as mulheres seres humanos inferiores, fazem com que suas idéias se propaguem pela sociedade estimulando o preconceito em toda a sociedade, começando nas igrejas.
As mulheres foram vítimas do machismo estrutural, que no passado as proibiam de se alfabetizar, votar e trabalhar. Hoje lutam para ter os direitos garantidos pela constituição respeitados, pois ainda ganham menos que os homens para exercer as mesmas funções, sofrem preconceitos em cargos de gestão, em casa e nas escolas e apesar de muitas vezes serem a única fonte de renda da família, tem seus rendimentos menores que os homens que na maioria das vezes não desempenham nenhuma tarefa doméstica, atribuindo a mulher tais funções.
Ver senadores desrespeitando um ministro de estado é uma cena grotesca, que faz pensar, que país estamos construindo, pois não sabem as lições básicas da educação que é o respeito.
De acordo com um dos senadores, ele respeitava a mulher e não a ministra, como se fosse possível separar as coisas naquele momento, o respeito deve ser dado a todos e não somente a quem escolhemos. O senador poderia ter divergências com as ideias da ministra, e ali era o local para discutir isso, mas em momento algum se deveria abrir mão do respeito mútuo, pois um diálogo só é possível mediante o respeito.
O que entendo é que a posição da ministra, mulher reconhecida mundialmente, competente e exigente, fere o ideal machista destes senadores de extrema direita, que não estavam dispostos a estabelecer um diálogo, mas atacar a mulher.
A extrema direita nos faz dar passos retroativos significativos em nossa civilidade, está tentado encaminhar a sociedade por um caminho por nós já trilhado, da qual não temos saudades.
Por Paulo Kanasiro

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