O que destrói a humanidade?


O Ministério Público Militar concluiu que Wenderson Nunes Otávio não cometeu suicídio. Testemunhas declararam que receberam ordens para ficar em silêncio. O que aconteceu então?  Militares com patentes altas determinam a versão oficial de um homicídio, como sendo um suicídio. 

Segundo denúncias e a investigação o disparo foi feito por Jonas Gomes Figueira, ex-soldado do 26º Batalhão de Infantaria Paraquedista, este tinha o hábito de brincar com uma arma de fogo, apontando e encostando na cabeça de colegas, então neste dia, ele teria, como de costume, apontado uma pistola 9 mm para Wenderson, acreditando que a arma estava descarregada, e efetuado o disparo enquanto o colega calçava o coturno. 

A morte foi instantânea, e após o crime o comandante do batalhão, reuniu os militares e determinou que a versão oficial seria de suicídio. Ele também teria proibido qualquer contato com a família da vítima.

Duas coisas são dignas de atenção, a primeira é que é inadmissível que um militar de alta patente determine a versão oficial de um crime, distorcendo a verdade, seja ela para proteger a instituição ou para proteger seja quem for. O compromisso deve ser com a verdade e com a justiça, mas não foi isso que aconteceu. Atitudes como esta e outras que vimos ultimamente, colocam em descrédito as nossas forças militares, que habituada com os tempos de ditadura, onde ela determinava o que era verdade ou mentira, o que era certo ou errado, ainda carrega o ranço de um autoritarismo falido e repugnante. 

A outra observação é a atitude irresponsável de alguém que porta uma arma de fogo com poder para matar. E o quanto estamos andando na contra mão da lógica, assim a Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que reduz de 25 anos para 18 anos a idade mínima para a compra de arma de fogo. A proposta altera o Estatuto do Desarmamento. A falta de uma responsabilidade no manuseio de uma arma letal leva inocentes a morte, pois algumas pessoas não sabe seus limites, uma “brincadeira”, uma briga de transito, uma disputa amorosa, uma traição ou uma discussão pode levar a morte quem poderia estar vivo, pelo simples fato de uma pessoa imatura ter o direito de ter uma arma. 

Acompanhei uma processo de admissão de soldados no Pará e a maioria dos candidatos eram desclassificados no teste psicológico, ou seja pessoas que não poderiam portar armas de fogo, tenho certeza que este processo não será aplicado aos jovens de 18 anos que desejarem portar uma arma com tanto rigor, assim querer comparar um soldado da Policia Militar com um jovem qualquer da mesma idade é uma falácia. 

Enfim, existem muitas coisas erradas, e todas elas partem de um único ponto, a falta de entendimento de quem é o meu próximo. O rapaz que perdeu a vida por conta de uma brincadeira irresponsável, estaria vivo se o seus superiores cumprissem a lei de fiscalizar o uso das armas dentro dos quartéis. A justiça já teria sido feita se os fatos não fosse omitidos e falsificados para defender um criminoso ou a instituição. E sua família menos apreensiva com a afirmação pública de que o jovem cometeu um suicídio. E nossos deputados que defendendo o pensamento da extrema direita de que o povo tem que andar armado, para matar e não simplesmente se defender. Falta nos o amor e a empatia, este é o mal que destrói a humanidade e este é o mal que destruirá o país e a vida de milhares de Wenderson.

Por Paulo Kanasiro

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