Fraude ungida
Não dá para não ressaltar isso, a maior fraude financeira da história brasileira aconteceu e o banco Master causou uma comoção em todos os níveis da sociedade, desde pequenos investidores até prefeituras e órgãos administrativos do estado, mas não parou por aí, agentes do poder executivo, legislativo e judiciário, inclusive da suprema corte, politicos de direita e de esquerda, da situação e oposição. Atraídos por mega rentabilidades, investidores colocaram seus recursos em um banco que prometia muito, mas a promessa se tornou um pesadelo, pois a quebra do banco deixou muitas pessoas sem renda, sem seus recursos, e com a demora para se ressarcir parte do que foi investido, sem nada. No entanto, o que mais me surpreendeu não foi a demora do Banco central em não investigar tais promessas, que eram muito maiores que as da concorrência, não foi a demora na denúncia dos concorrentes que sabiam que tais taxas eram impraticáveis dentro de ambiente econômico em que estávamos, mas o fato deste banco que elaborou tamanha fraude pertencer a um membro ligado a uma igreja evangélica, de como a história deste banco se misturar com a história de pessoas ligadas a direção desta mesma igreja.
Como já disse antes, o cristianismo de forma geral, tomou um caminho que o distancia de Cristo, assim as palavras de Mahatma Gandhi, "eu seria cristão se não fosse os cristãos", mostra que ele no começo do século XX, percebeu que o cristianismo já andava por este caminho e que cada vez mais afastava da pessoa de Jesus.
Mas a quebra deste banco mostra quão distante chegamos neste desvio de rota, alguém diretamente ligado a uma igreja, planejar uma fraude desta proporção sabendo que milhares de pessoas diretas e indiretamente seriam lesadas é de se questionar o que tais igrejas estão ensinando? Quais são os valores que seus membros prezam? Uma igreja criando um banco parece normal? Com tudo isso, a cada dia percebo que não há volta, a igreja cristã já foi longe demais, copiaram o modo capitalista e reproduziram na igreja uma pirâmide semelhante ao que vemos na sociedade, onde o que vale mais é quem tem dinheiro. Nobres, burgueses, o clero e a maioria plebeus que sustentam todos os primeiros.
O cristianismo deveria estar justamente do lado oposto a tudo isso, amando o próximo, olhando as pessoas com empatia, tratando com compaixão aqueles que perderam algo, emprestando sem juros para que não seja valorizado a usura, não transformando o prejuizo alheio em renda ou lucros, mas esta é mais uma prova de que a igreja trocou de camisa e hoje se encontra do outro lado.
Por Paulo Kanasiro

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